Começa-se de acordo com o grau de intimidade: cara, querida, amada. Depois é a hora de expressar o motivo dos escritos. É importante que seja num papel delicado e com uma boa caneta. As mulheres reparam nisso. Logo em seguida deve-se dizer como está...como está sobrevivendo a tudo aquilo que chama-se "além da vida sem ela". Pergunte os por quês de a receptora ter agido daquela maneira que te machucou tanto. Parta para as considerações finais, que podem vir na forma de um "até breve" ou "até nunca mais" demonstrando dessa vez as suas decisões. Despeça-se. Com carinho ou não. Da maneira que lhe convir, afinal ela não merece mais o mínimo de respeito da sua parte. O importante mesmo é não se esquecer de assinar...
Querida,
--- Escrevo pra lembrar do amor que não acabou. Dizem que com o tempo a dor ameniza e fica mais fácil encarar as coisas da vida. Vida. Piada que venho contando a mim mesma nos últimos dias. Pra ser mais exata, desde o dia que você se foi. Não faz tempo, mas ontem completei minhas primeiras 24h sem derramar uma lágrima sequer. Os olhos marejaram o tempo todo, mas a dor deu lugar às ocupações do dia-a-dia. Sabe, as coisas pegaram fogo no trabalho, disseram até que eu perdi minha capacidade de sorrir. Disse-lhes que não foi a capacidade de sorrir que perdi...perdi mesmo aquilo que movia meus lábios de canto a canto mostrando os dentes numa forma delicada que chamam de "sorriso". O que eles não sabem é que eu perdi tudo que se encontrava sob meus pés, afinal, era pela certeza de te ver às 13, 16 e 22 que eu levanta e os colocava no chão.
--- O problema todo é que eu fui pega de surpresa. É...isso mesmo...de surpresa. Incrível não?! Talvez tenha sido desatenção minha, talvez tenha sido descrição sua. Mas como? Onde eu estava enquanto você olhava praquele horizonte?! E me diga, por que você discutia comigo quando eu dizia que éramos jovens pra falar de "a mulher da minha vida" me fazendo acreditar que de fato eu era a da sua? E por que é que não me deixou terminar todas aquelas 28 vezes? E por falar em 28, faltam poucos dias pra ele chegar...seria o dia em que faríamos lindos 17 meses juntas. Os mais felizes 17 meses da minha humilde vidinha. Mas você disse que já não estava mais feliz e que talvez nem conseguisse me fazer bem...mas você não sabe...você sempre me fez bem.
--- De qualquer maneira, todos os dias tem sido cinzentos, as pessoas parecem sem graça e os sabores sem sabores. É que falta você do meu lado passando as mãos nas minhas costas, os dedos entrem meus cabelos e os pés roçando na canela. Falta você na minha vida. Mas tudo bem...você prometeu me comunicar da sua decisão. Mas às vezes a gente fica sabendo pelos nossos amigos (que ainda não fizeram parte da divisão de bens) que alguém te viu em algum lugar...ou que você estava lá; com ela.
--- As primeiras 24 horas acabaram...resisti por mais 4 ou 5...e voltei a cair quando lembrei do nosso apartamento em SP cheio de amigos com um bom macaroni and cheese. É que esse era o meu plano pra nós. É que o seu plano, costumava ser o mesmo que o meu.
--- Hoje eu vou sair. Vou lavar o rosto e fingir que estou bem. Meu estômago está vazio, meu corpo cheio de hematomas e calafrios e taquicardias tornaram-se constantes. Até você se preocuparia se me visse assim, mas andamos por corredores opostos e você só pode ver o que quiser. E hoje você simplesmente não quer me ver. Ainda assim, talvez nos encontremos e eu tenho medo do que pode acontecer.
--- De você, eu só quero uma coisa hoje...não me machuca mais? É que está doendo muito.
Da sua...
PS: Cê disse que me amava tanto ontem...eu juro que ouvi.
Um comentário:
aqui tem colo, pequena.
não é o melhor, mas ainda assim é bom, vem que eu te dou, dou colo e canto em francês. melhor: dou colo, canto em francês e faço o melhor carinho que conseguir.
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